
Jornal A Águia.
Numa ação inédita promovida pela Confederação Brasileira de Judô, os judocas das seleções Sub-17 e Sub-20 do Brasil passaram duas semanas competindo e treinando na Europa. O resultado foi mostrado dentro dos tatames, com 34 medalhas conquistadas, além de um bronze numa competição amistosa por equipes. Os atletas da nova geração já começaram a voltar pra casa. Na noite desta quarta-feira, dia 31, aconteceu a chegada da equipe Sub-17. No sábado, dia 3 de maio, será o desembarque do Sub-20. Os atletas mostraram que a geração que poderá representar o país nas Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016 já está conquistando experiência internacional.Foram ao total cinco eventos em 15 dias, além de treinamentos de campo. Torneio de Bremen, Thuringia e Vulkaneifel, na Alemanha, e de Coimbra, em Portugal. O bronze por equipes foi conquistado em amistoso contra Japão, Alemanha e Kazaquistão.Nomes de destaque, como a campeã mundial Sub-20 Rafaela Silva e a campeã mundial Sub-17 Flávia Gomes, confirmaram o favoritismo. Em Thuringia, Rafaela conquistou o ouro numa chave com 61 judocas. Também subiram ao pódio Eleudis Valentim (-52kg Sub-20) e Águeda Silva (-44kg Sub-20), que foram prata. Ainda em Thuringia, Nathália Brígida (-48kg Sub-20), Sibilla Facholli (-70kg Sub-17) e Flávia Gomes (-63kg Sub-20) terminaram na terceira colocação. No Torneio de Bremen, também na Alemanha, o judoca Jonas Inocêncio (-100kg), conquistou a medalha de prata para o Brasil. Nicolas Santos (-60kg) e Ricardo Santos (-66kg) foram bronze nesta competição.Em Coimbra (POR), num evento válido pelo Circuito Europeu Sub-20, a categoria meio-médio feminina (-63kg), teve final verde-amarela, com Flávia Gomes e Fernanda Peinado. Flávia ficou com o ouro. Samantha Soares (+78kg), Agueda Silva (-44kg), Nathalia Brigida (-48kg) e Rafaela silva (-57kg) também se consagraram campeãs, enquanto Sergio Yoshimura (-55kg), Allan Kawabara (-60kg), Eleudis Valentim (-52kg) e Daniel sousa (+100kg) ficaram com o bronze.Paralelo ao Torneio de Coimbra, a equipe Sub-17 lutou e dominou o Regional de Vulkaneifel, disputado em Kaiserslautern. Foram 14 ouros: Lais Lessa (-40kg), Nathália Mercadante (-44kg), Alexia Castilhos (-48kg), Beatriz Nery (-57kg), Beatriz Oliveira (-70kg), Sibilla Faccholli (+70kg), Leonardo Tavares (-50kg), Alessandro Machado (-55kg), Nicolas Santos (-60kg), Ricardo Santos (-66kg), Gustavo Assis (-73kg), Eduardo Gonçalves (-81kg), Gabriel Souza (-90kg) e Tiago Bastos (+90 kg)."Os campeonatos foram de nível elevado e os resultados muito bons, correspondendo às expectativas. Apesar de estar em contato com as meninas há pouco tempo percebi que são muito aplicadas técnico e táticamente. Elas precisam de um cuidado especial para continuarem se desenvolvendo. Todas possuem potencial, mas precisam se aprofundar nos fundamentos técnicos, como sequências de golpes e a transição da luta em pé para a luta no solo", explica Douglas Vieira, treinador da seleção feminina Sub-20 e vice-campeão olímpico em Los Angeles 1984.
O Brasil conquistou duas medalhas no segundo dia de competições do Mundial Paraolímpico de Judô, que está sendo disputado em Antalya, na Turquia. Lúcia Teixeira, na categoria leve, ficou com a prata, enquanto Daniele Bernardes da Silva, na meio-médio, terminou com o bronze, nesta sexta-feira. No masculino, Magno Gomes, da leve (até 73 quilos) e Denis Rosa, da meio-médio ficaram em nono lugar.Se Daniele, com duas medalhas de bronze em Paraolimpíadas estava cotada para o pódio, Lúcia surpreendeu ao vencer por ippon logo na estreia a chinesa Qian Zhou. Na semifinal, a brasileira ganhou da turca Duygu Cete, também por ippon. Na final, Lúcia foi imobilizada e perdeu por ippon para Afag Sultanova, do Azerbaijão. A curiosidade da conquista de Lúcia e Daniele é que as duas trocaram de categoria justamente para a competição:“Deu certo, né? Acho que a mudança também surpreendeu as adversárias, que vieram para cá esperando enfrentar a Dani e tinham estudado o estilo dela. Eu me sentia muito leve na categoria até 63 quilos e a Dani tinha dificuldades na 57 quilos, conversamos e decidimos fazer a mudança”, disse Lúcia, dedicando o título a muita gente, mas principalmente à filha Ana Clara, de dois anos.Daniele só enfrentou lutas duras até chegar à semifinal, quando perdeu por um detalhe para a chinesa Tong Zhou, por ippon. Na estreia, contra a americana Jordan Mouton, uma chave de braço lhe garantiu a vitória por ippon. Na luta seguinte, porém, a cubana Dalidaivis Rodriguez ameaçou até o final, mas a brasileira soube segurar a vantagem de um wazari. Após a derrota para a chinesa, Daniele saiu chorando do tatame, mas buscou forças para reagir:“Na hora fiquei chateada, com raiva mesmo, mas eu não tinha vindo aqui para perder. Eu vim para ganhar e queria muito este bronze”, disse Dani, que tem na carreira dois bronzes em paraolimpíadas, em Pequim e Atenas. “Antes do Mundial ainda brinquei que estava cansado de bronze, mas estou adorando ter conquistado mais um para a minha coleção, na primeira vez que eu disputo um Mundial”, comemorou a judoca brasileira, que venceu a finlandesa Paivi Tolppanen na disputa pela medalha.Depois de um primeiro dia em que os resultados ficaram abaixo do esperado, a comissão técnica comemorou não apenas as medalhas, mas mesmo a colocação dos homens.“Foi muito bom. As duas medalhas coroam um trabalho de muita dedicação, mas mesmo o resultado dos meninos deve ser comemorado. São duas categorias muito disputadas e em Pequim não conseguimos levar nenhum atleta. Agora já marcamos pontos no ranking”, disse Jaime Bragança, lembrando que nas Paraolimpíadas de Londres serão apenas dez vagas no masculino, pois as outras duas serão reservadas para o país anfitrião e para o continente africano.O Brasil também tem muitas chances de medalha neste sábado. Será a vez do tetracampeão paraolímpico e único brasileiro com o título do Campeonato Mundial de Judô, Antônio Tenório, na categoria meio-pesado (até 100 quilos), de Roberto Julian Santos Silva, na médio (até 90 quilos) e Alexandre Ferreira da Silva, na pesado (acima de 100 quilos) no masculino. No feminino, a caçula da delegação, Victoria Santos de Almeida Silva, de apenas 17 anos, estreia na categoria médio (até 70 quilos), assim como a pesado Deanne de Almeida, prata em Pequim.